22.11.07

Prólogo - Parte 09

Once Upon a Time in New Mexico 09/10




Steve apenas subiu a sua guarda cruzando os braços sobre a face e fechou os olhos quando sentiu a patada da fera vindo em sua direção. A força do golpe foi tão intensa, que o fez atravessar o salão e espatifar-se contra a parede de madeira rústica próxima a entrada que quase cedeu. Acima dele, os vidros da velha janela não resistiram ao impacto e se partiram em pedaços afiadíssimos, que caíram sobre ele como uma chuva de verão, castigando ainda mais o seu corpo.
Sua massa muscular estava quase ao normal, os tufos de pelo negros caiam ao chão. Sua pele formigava e seus braços latejavam intensamente de dor. O cansasso definitivamente parecia o estar vencendo e tudo o que ele mais queria naquele exato momento era fechar os olhos por alguns instantes para se recompor. Ali caido, debaixo da janela escancarada, envolto aos cacos manchados com seu sangue, sob a luz da lua minguante, ele observou seu fim se aproximando cada vez mais rápido no forma mais bestial que a morte poderia assumir...

Mas ao invés de um coro de anjos o recebendo no além vida, naquele momento crucial, ele ouviu uma violenta rajada de tiros vindos do vão que um dia foi a janela sobre sua cabeça. Sem acreditar naquele golpe de sorte do destino, Steve apenas observou o monstruoso Klaus estremecer e recuar com a saraivada de balas que massacravam seu peito. O barulho ensurdecedor da cadencia das balas, unida ao uivo agonizante do nórdico transmutado, eram
capazes de corromper a sanidade de uma pessoa menos crédula nos mistérios que margeiam nossa vã consciência. Como um choque aquilo o despertou e aproveitando-se da incrível oportunidade, o sul americano reuniu todas as forças que lhe restavam e começou a se arrastar o mais rápido que pode para longe do fogo cruzado e do raio de visão da fera, que enfim, curvava-se e dava os primeiros sinais de que iria tombar...

Klaus estava completamente ensangüentado, sua massa corpórea diminuía de forma acelerada, mas antes que Steve pudesse vê-lo cair de uma vez por todas, o que parecia ser uma bomba de fumaça estilhaçou os vidros da janela a sua direita. Por instinto ele virou-se para correr para o outro lado, mas outras duas passaram pelo vão. Ao explodirem, ele tentou cobrir o rosto com as mãos, mas não demorou para que a sensação de ardência queimasse sua laringe e fizesse com que seus olhos começassem a lacrimejar. Coberto por suor e sangue,
o efeito urticante do gás propagou-se ainda mais rapidamente em sua pele. E acredite ou não, esses ainda eram os menores de seus problemas naquele momento...

Com Klaus efetivamente derrotado, inconsciente e ao seu entender morto na forma humana, Steve enfim teve mais do que alguns segundos para poder racionalizar a situação atual e traçar o seu destino a partir de então. Pela ação organizada e prudente que acontecia, provavelmente a policia estava la fora preparada para o que "desse e viesse". O que o fez pensar que ao entrarem por aquela porta e vissem aquela cena clássica de filmes de terror adolescente, repleta de destruição, sangue, com direito a mortos, feridos e sobreviventes se contradizendo, com apenas ele
(um imigrante latino lavado em sangue de um cadáver em potencial) consciente...

D
e "salvo pelo gongo" ele passaria a: "completamente fudido e condenado a cadeira elétrica por massacre", após alegar veementemente diante de um júri popular, que ele havia se transformado num "monstro hollywodiano" de quase três metros de altura apenas em "legitima defesa", e que na verdade, havia sido o "outro lobisomem" o autor de todo aquele estrago. Realmente seria uma historia "bem" interessante de se ouvir e por que não dizer; "inovadora" de se afirmar sob juramento. Dava até para imaginar as transmissões ao vivo em todo mundo, seguidas de documentários sobre sua vida e depois de alguns anos, um filme com elenco "b" estreando nos cinemas a "versão sem cortes da verdade que não foi contada"

Ele tinha de qualquer forma que dar um jeito de sair
dali ...

Ciente disso, Steve prendeu a respiração e seguiu em direção a saída lateral, mas ao se aproximar, ouviu
de relance os comandos do que parecia ser o líder da ação de contenção do local e os passos de pelo menos um de seus subordinados o seguindo. Então de forma furtiva, ele seguiu para a porta dos fundos, e quando estava a metros da liberdade, notou um importante detalhe; que agora de volta a sua forma humana suas roupas haviam se desfeito em trapos e ele se encontrava completamente nú. Como um estrangeiro sem roupas, no meio do deserto, próximo ao local de um incidente de grandes proporções não é lá uma coisa muito discreta, ele recuperou o fôlego numa brecha de ar próxima a porta e de forma silenciosa, agachado-se para não ser notado, seguiu tenso na direção em que lembrava estar o corpo inconsciente do rapaz careca que ele havia derrubado a pouco. Tateando freneticamente o chão ele o encontrou e sem pensar duas vezes roubou-lhe as calças...

Enquanto rapidamente as vestia, embora o efeito do gás prejudicasse sua visão e olfato, de modo geral, ele percebeu que progressivamente seu corpo reagia e aos poucos o seu vigor natural ia voltando ao normal. A dor em suas costas causada pelo impacto havia diminuindo significativamente e já não mais o debilitava, seus músculos estavam novamente correspondendo como se estivessem descansados e foi só então que ele percebeu abismado os ferimentos profundos em seu peito se fechando e cicatrizando lentamente. Ele com certeza se estareceu, mas em meio a todos esses acontecimentos estranhos que estavam ocorrendo recentemente em sua vida, a primeira coisa que realmente veio a sua cabeça era; que nem tudo poderia estar perdido e Klaus pudesse estar vivo. Afinal, ambos aparentemente
tinham as mesmas habilidades e o que quer que estivesse acontecendo com ele, o nórdico poderia ter mais respostas. Talvez ele soubesse como ou o porque dele estar passando por tudo aquilo ou quem sabe, se haveria alguma forma de controlar ou até mesmo se livrar daquela maldição...

Ele teve segundos para decidir o que fazer em seu plano desesperado de fuga e
o medo de não mais poder fazer ao escandinavo as perguntas cuja as respostas tanto o atormentavam, o fizeram agir pelo impulso. Steve correu e ainda pensando em se arrepender por aquilo, pegou a espingarda caída atrás do balcão e em seguida colocou Ollendorf em suas costas. Apartir dali ele já não sabia qual das situações era a pior; a de fugir aos tiros da policia local ou ter que carregar um homem de mais de cento e vinte quilos completamente nú em seus ombros...


Nota do Autor: Muitas pessoas me perguntaram durante as semanas que separavam os posts 8 e 9, porque Steve voltou a forma humana no meio do combate e Klaus não? A resposta é simples. O instinto de auto preservação de Steve o fez mudar para a forma Gauru, a qual o uratha entra numa espécie de frenesi mais controlado, nela ele precisa atacar algo ou alguém todas as rodadas ou no mínimo se mover na direção de um alvo visível. Manter essa forma exige muito esforço e o número de turnos por cena nessa forma é determinado pela soma do vigor básico com o instinto primitivo do personagem. Passado esse período, ele volta a forma natural ou ainda pode tentar fazer um teste para ir para alguma das outras três formas intermediárias. Já Klaus além de estar na forma híbrida como Steve, ele estava possuído pelo que chamamos na primeira língua de Kuruth...

Death Rage, Fúria de Morte, Fúria Mortal ou Kuruth, independente de como é chamado esse é o estado mais selvagem que um lobisomem pode alcançar. Nele são ignorados perigos mortais, em prol de nada além do que a satisfação de rasgar sua presa com suas garras e dentes. O uratha nesse estado assume imediatamente a forma gauru e permanece nela com direito a todos os seus benefícios até que a fúria cesse ou seja interrompida. Nela o lobisomem é compelido a destruir todos os alvos dentro de seu raio de visão, sejam aliados, inimigos ou infortunados transeuntes que estiverem na cena...

Para os uratha, a palavra Death Rage tem muitos significados, o lembrete da morte do Pai Lobo é um deles. Mas, o verdadeiro significado dela é que sucumbir ao Kuruth é uma perda da consciência semelhante à morte, onde o uratha corteja a possibilidade de morrer como uma fera enlouquecida ao invés de um guerreiro ou caçador. Por isso cada Fúria Mortal de um lobisomem pode ser sua última.

Os seguintes estímulos disparam o estado de Kuruth durante um combate:

- Sofrer dano agravado.
- Acertar ou ser atingido por um sucesso decisivo (5 sucessos num ataque).
- Sofrer dano em um dos últimos três pontos de Health.

Mas o real horror do Kuruth é que ele pode surgir mesmo fora de situações de vida-ou-morte. Por exemplo, uma Uratha pode ser tomada pela Fúria-morte ao descobrir que seu namorado estava lhe traindo, somente para recuperar os sentidos coberta em seu sangue e vísceras. A lista seguinte detalha potenciais estímulos que podem sujeitar um lobisomem ao Kuruth quando não estiver em combate. O jogador deve fazer um teste para resistir quando receber uma provocação equivalente ao seu valor de Harmonia ou maior:

- 9 a 10 Pessoa amada/membro da matilha morto ou ferido gravemente; traído por pessoa amada/membro da matilha.
- 7 e 8 Traído por aliado
- 5 e 6 Ferido fora de combate com dano agravado; pessoa amada/membro da matilha em perigo
- 3 e 4 Humilhado ou ferido
-1 e 2 Insultado; autoridade desafiada

Sistema: O jogador deve rolar Resolve+Composture para evitar entrar em Kuruth a cada provocação recebida, seja em situação social ou de combate. A falha faz o lobisomem assumir automaticamente a forma gauru. O limite usual de rodadas para esta forma é ignorado. Dura até o fim da cena (sendo abatido ou abatendo a todos rs!). Qualquer uso de dons, disciplinas de vampiros ou magia de magos afim de influenciar o alvo do kuruth sofrem uma penalidade de -3 nas jogadas de dado.

1 comentários:

Flávio Stephano Balinsky disse...

Excelente texto. Bem fluído e com passagens de bastante ação, o que, no nosso estilo literário é fundamental.

Só cuidado com o excesso de "trechos poéticos", como na parte: "O barulho ensurdecedor da cadência das balas, unida ao uivo agonizante do nórdico transmutado, eram capazes de corromper a sanidade de uma pessoa menos crédula nos mistérios que margeiam nossa vã consciência."
Eles ficam meio chatos se muito longos.

A idéia das músicas pra ouvir lendo foi ÓTIMA!!! Demon Hunter e Slipknot dão um PUSTA dum clima. Só o Creed que já deu, vamos combinar...

Filhão vc é uma ENCICLOPÉDIA de Storyteller. Tô impressionado.

Abs!

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