7.2.07

Prólogo - Parte 03

Once Upon a Time in New Mexico 03/10




A fim de desmistificar suas suspeitas, Constancia foi direto ao ponto. "O que faz tão longe de casa, estranho? - Indagou ela num castelhano perfeito -” E por quê você quer saber?”- respondeu o garoto na mesma língua, sem nem mesmo levantar os olhos”.

Ela não conteve um leve sorriso. Sem querer ele havia dado mais uma pista, seu espanhol tinha um levíssimo sotaque e somente um país sul-americano não tem essa como sua língua corrente. Certa de suas conclusões, ela então respondeu - "Eu sou muito curiosa. E também gosto de conversar com brasileiros"- O rapaz grunhiu com indiferença e olhando com descaso irônico disse. "Lá de fora pensei que isso fosse um bar, não uma tenda cigana” Desta vez Constância gargalhou de verdade, ela adorava estar certa. Ela nunca errava. Talvez essa fosse a coisa que seu falecido marido Ruben mais odiava nela. Como se já não bastasse ser esperta ela tinha que ser exibida? Era o que ele sempre dizia...

Aos poucos ela se recompôs, sem ainda saber porque, ela havia simpatizado com o rapaz. Talvez porque inconscientemente esse jeito fechado, rebelde, mas ao mesmo tempo "levemente inseguro" lembrasse muito seu finado filho. Ela fez um sinal para que uma de suas garçonetes trouxesse algo para beber e voltou a papear com o garoto, mas ele parecia sempre estar na defensiva, tenso e desconfortável, talvez pelo fato dela saber sua origem.

Sem um pingo de timidez, a velha senhora tratou de quebrar rapidamente o clima desconfortavél com seu indiscutível carisma e jogo de cintura – “Desculpe, onde estão meus modos, eu me chamo Constancia Cortez, mas os pessoal aqui do El Rancho costuma me chamar de ”Mama” – era impossível não gostar da velha mexicana quando ela se dispunha a ser simpática, mas de alguma forma ele insistia em manter a conversa em um tom menos pessoal – “Steve” – ele respondeu estendendo a mão para um comprimento, ao mesmo tempo em que a garçonete colocava sobre a mesa uma imensa e cristalina caneca de cerveja, transpirando de tão gelada, coberta uma deliciosa espuma cremosa que ia além da borda. Depois de horas caminhando sob o sol quente, “Steve” olhou para aquilo como se fosse um verdadeiro oásis perdido – “Essa é por conta da casa. Claro, se realmente tiver idade pra beber isso “ disse a velha senhora. Sem pensar duas vezes o jovem tomou a caneca com a mão direita e virou lentamente o seu conteúdo refrescante aproveitando cada gole como se fosse o último.

Mama tinha certeza que aquele não era o seu verdadeiro nome, mas resolveu entrar no jogo para ver se ganhava um pouco mais de sua confiança e quem sabe assim, descobrisse mais alguma coisa sobre ele. Ela sabia o quanto era difícil recomeçar uma nova vida num pais que costuma desprezar latino-americanos, ela viveu isso e sempre se dispos a ajudar aqueles que como ela, um dia sonhou em vencer na América, mas ela precisava se assegurar de que estaria ajudando realmente uma boa pessoa...

Enquanto isso, ao fundo sobre o palco, os primeiros solos de guitarra já podiam ser ouvidos. As luzes foram se apagando enquanto um globo de prisma foi aceso. A platéia já impaciente urrou forte com o inicio do show. Palmas, assovios e gritos arrepiaram todos os integrantes da modesta banda. O baixo e a bateria entram na melodia poderosa do heavy metal, regido pela magia da guitarra, enquanto um pouco de água quente em um balde de gelo seco torna-se o ingrediente final para entrada de Klaus
Øllendorf, o vocalisa da banda convidada dessa noite, o Valhalla. Por detrás de uma cortina preta improvisada, um grito gutural com um forte sotaque escandinavo diz

– “Greetings América, Welcome to the Ragnarok”

1 comentários:

Klaus Ollendorf disse...

Yep, Eu mando muito bem no vocal...E olha que estava bêbado...

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