HUNTING GROUNDS: LAS VEGAS

SEJAM BEM VINDOS AO NOSSO TERRITÓRIO, A CIDADE DO PECADO, LAS VEGAS!

LOBISOMEM: OS DESTITUÍDOS

O LOBO DEVE CAÇAR... TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA COMEÇAR SUA CAMPANHA.

CAPITULO 1: ANSWERS AND CHOICES

ACOMPANHE A TRAGETÓRIA DE ORIGEM DE UMA DAS MAIORES ALCATEIAS DE VEGAS.

PRÓLOGO: ONCE UPON A TIME IN NEW MEXICO!

O PASSADO, O LADO HUMANO, A VIDA ANTES DA PRIMEIRA TRANSFORMAÇÃO!

THE STORMRIDERS: OS CAVALEIROS DA TEMPESTADE

STEVE, KLAUS, RAY, MIKE, CARMEM, PHANTOM, CONHEÇA OS INTEGRANTES DE NOSSA ALCATÉIA.

13.2.07

Prólogo - Parte 06

Once Upon a Time in New Mexico 06/10




A velha mexicana ainda tentava entender o motivo do jovem Steve ter saído tão abruptamente de seu estabelecimento, mesmo depois dela ter despendido tanta atenção a ele. Por um instante achou ter dito algo que poderia tê-lo ofendido ou irritado, mais o que poderia ter sido?

Seus pensamentos estavam distantes, tentavam achar uma razão para aquela atitude, ate que ao passar despretensiosamente seus olhos pelo salão, percebeu os primeiros sinais de problemas a sua volta.

No palco, o vocalista da banda contratada parecia de longe não estar nos seus melhores dias, a impressão que se tinha, era que estava completamente drogado. Havia uma mistura de pavor e descrença nos olhos do rapaz, como se estivesse tendo uma alucinação. “Mama” imediatamente pensou em fazer algo, estava preocupada não só com a saúde do rapaz, mas com a integridade de seu patrimônio. Ela sabia muito bem do que clientes bêbados e insatisfeitos eram capazes, então mais do que depressa, levantou-se decidida a interromper a apresentação.

Mas infelizmente tudo aconteceu muito rápido.

Quase que em câmera lenta, ela observou os movimentos do cantor tornarem-se desequilibrados, suas pernas pareciam não o obedecer mais, até que escorado no suporte do microfone, regurgitou na platéia.

Foi o suficiente para transformar aquele salão num verdadeiro campo de guerra. Em questão de segundos, a confusão tinha tomado proporções catastróficas. Mesas e cadeiras de mais de cinqüenta anos, conservadas por ela como relíquias, transformavam-se em armas nas mãos de homens e mulheres mais exaltados. Copos, garrafas e vidraças, estraçalhavam-se em todas as direções e aos poucos, o desespero passou a dominar Constancia. Tudo que lhe havia restado de valor nesta vida, estava dentro daquele bar. Suas recordações, seu passado, sua historia. Tudo estava sendo destruído diante dos seus olhos.

Sem controlar as lágrimas e com um imenso nó na garganta, ela partiu disposta a acabar de uma vez por todas com aquela situação. Correu o máximo que pode na direção do balcão, tentando alcançar desesperadamente a espingarda na parede. A distância de pouco mais de quatro metros que a separava da arma, pareceram mais de quarenta quilômetros, enquanto ela se esquivava dos focos de briga em seu caminho e dos escombros que cruzavam pelo salão. Ao se aproximar, mais do que depressa, passou por debaixo do biombo, e seguiu direto pelo estreito corredor, até chegar debaixo do exato lugar onde a espingarda estava. Ou melhor, deveria estar. Sem acreditar nos seus olhos, ela observava a parede vazia, apenas com o suporte onde a arma repousava. Seu coração bateu mais forte, por alguns instantes faltou-lhe o ar. Com uma mão sobre seu peito e a outra apoiada no balcão, ela tentou não deixar a situação dominá-la. Respirou fundo algumas vezes, tentando espantar o pânico e passou a procurar o destino de seu rifle de caça.

Violência, sangue e destruição. Era tudo o que ela via por onde quer que passasse os olhos. Embora o tumulto fosse grande, não demorou para que ela o encontrasse. Avistou a poucos metros dela, também do lado de dentro do balcão. Estava em posse de um jovem muito alto, branco, com os cabelos castanhos e arrepiados. O destino da bala parecia certo, a cabeça do vocalista da banda. Antes que o pior acontecesse e sem pensar nas conseqüências, Constancia se atirou contra o jovem, quando este engatilhou a espingarda e fez menção em apertar o gatilho.

O estrondo do tiro soou como um toque de recolher. Tomadas pelo pânico, dezenas de pessoas correram em direção a saída. Rapidamente uma multidão se formou em torno da porta, onde todos digladiavam entre si buscando passar para o lado de fora o mais rápido o quanto fosse possível. Ninguém parou para observar de quem veio ou para onde foi o disparo. O instinto de sobrevivência falou mais alto e no ápice do desespero, janelas eram destruídas e usadas como rota de fuga para os mais apavorados.

O jovem atirador irritou-se por ter sido interrompido pela velha, que com todas as forças ainda lutava para tirar a arma de suas mãos. Sem o mínimo de piedade, ele acertou uma violenta cabeçada no rosto de Constancia, que instantaneamente amoleceu e apenas viu o cabo da espingarda vindo em direção a sua cabeça antes de tudo escurecer...

Novamente ele empulhou a arma apontando na direção de Klaus, que assustado - e aparentemente alheio a tudo que acontecia a sua volta - se arrastava tentando se esconder atrás do pano preto improvisado no palco, onde ele tinha começado sua apresentação. Com o vocalista na mira e indefeso, ele somente exitou apertar o gatilho, quando viu mais três de seus amigos se aproximando do cantor. Munidos de garrafas e pedaços de madeira, eles finalmente tinham se desvencilhado da multidão, para “dar aquele maldito drogado europeu o que ele merecia”. Eram quatro contra um. A situação parecia obvia.

Klaus estava ferrado...

Mas nenhum de seus algozes contava com o rapaz alto, de traços latinos, que havia permanecido mesmo quando a lógica sugeria uma atitude menos heróica em prol de sua própria segurança. Ele presenciou toda brutalidade e falta de respeito para com a dona do bar. Embora ele a conhecesse há poucos minutos, ela havia deixado bem claro o que aquele estabelecimento significava em sua vida. Não foram muitas as palavras, mais foram suficientes para que ele pudesse perceber, que o que estava sendo destruído e espalhado pelo chão, era muito mais do que madeira ou vidro, eram vestígios de uma vida inteira...

Preciosas lembranças...

Sem elas perdemos nosso rumo, nos esquecemos
quem realmente somos e de onde viemos .Assim como a velha senhora e seu "saloon", as lembranças eram as únicas coisas que ainda restavam na vida de Steve. Eram elas que o definiam como pessoa e mantinham suas forças para continar em frente.

Assistir uma mulher tão boa como Constancia perder tudo isso de uma forma tão brutal e inconseqüente, fez com que uma enorme chama se acendesse em seu peito. Ela rapidamente se alastrou e passou a queimar e arder cada vez mais forte clamando por justiça. Para o azar do rapaz armado e seus companheiros, Steve estava ali e estava furioso...

Ele lutou bravamente contra a nuvem rubra de fúria que tentou cobrir seus sentidos, resistiu como um herói contra a compulsão selvagem de retribuir em dobro toda crueldade despendida contra aquela senhora indefesa. Ele até hoje não sabe muito bem o que realmente aconteceu da primeira vez em que se deixou levar por seja lá o que fosse esse “impulso”, mas ele ainda carrega dentro de si a dor das conseqüências daquele dia.

Mas hoje era diferente, essa “força” era necessária e ele mais do que em qualquer outra situação "a desejava".

Naquele noite, sua maldição se tornaria seu poder. Ele não poderia ficar passivo diante daquela situação. Algo dentro dele o impelia a fazer o que era certo, mas ao mesmo tempo, ele não desejava perder o controle novamente. Consciente disso, concentrou-se tentando evitar que a raiva atrapalhasse seu raciocínio. Permitiu que aquela chama que ardia em seu peito, se alastrasse por cada parte do seu ser. Então subitamente, suas roupas passaram a ficar apertadas em seu corpo a medida em que ele começou a crescer. Seus músculos tornaram-se rígidos e definidos, seus braços estavam cobertos por longos e esparsos pelos negross e seus olhos agora tinham um tom azul muito claro, próximo ao branco. Sem sombra de duvida, eles eram a parte mais assustadora da expressão bestial que ele acabara de assumir, com caninos afiados e leves traços lupinos...

Por alguns instantes, ele estudou seu alvo e antes que ele pudesse ser percebido, saltou surpreendentemente por cima do balcão e aterrissou fincando o que pareciam ser mais garras do que unhas, na nuca do jovem armado. Foi um golpe de sorte certeiro. Pego de surpresa, o atirador deixou que a arma caísse de suas mãos e em segundos, passou de caçador para caça.

Estava completamente imobilizado, de bruços e a mercê de Steve, que o mantinha preso com os joelhos firmes em suas costas e pressionando seu rosto contra o chão. Ele pode ver os primeiros fios de sangue brotando e começando a escorrer pelo pescoço do rapaz, devido a força com que cravou suas garras na carne dele. Seu coração estava acelerado, suas veias latejavam de excitação ao sentir sua presa tão próxima, dominada e exalando o inconfundível aroma que o medo produz. Steve observou por alguns instantes o desespero do rapaz, que se debatia tentando alcançar a espingarda com uma das mãos. Então com o mesmo requinte de crueldade que ele viu Constancia ser atingida, ele retribuiu ao seu agressor. Sem ter uma noção exata de sua força, Steve largou o pescoço e segurou firme em um tufo de cabelo de sua vitima e mesmo não sendo sua intenção, suas unhas chegaram a perfurar o couro cabeludo do rapaz.

O jovem imobilizado, pensou em gritar, pedir ajuda, mais seu orgulho não permitiu, achou realmente que daria conta do recado. Estava apenas ganhando tempo até alcançar a arma - “Esse cara não sabe com quem esta se metendo” – Repetia para si mesmo. De tanto tatear, realmente ele chegou a tocar com um dos dedos na espingarda, mais no exato momento em que sentiu o frio do aço, foi erguido pelos próprios cabelos e em seguida teve seu rosto lançado violentamente contra o piso. Uma, duas, três vezes. Sua consciência aos poucos foi se esvaindo, mas antes que perdesse completamente os sentidos, sentiu seu corpo sendo virado e enfim pode olhar nos olhos de seu oponente. Sua expressão imediatamente refletiu seu espanto. Ele era enorme, tinha traços caninos e terríveis olhos azuis, claros e frios como o gelo. Pensou estar louco, mais era exatamente isso que estava diante de seus olhos. Um desespero primordial e inexplicável passou a tomar conta de sua mente.

Sem ao menos ter tempo para que pudesse colocar em ordem seus pensamentos, “a criatura” agarrou-o como se fosse feito de papel pelo pescoço e com sua mão esquerda, ergueu-o acima da altura da cabeça com uma força sobrenatural. Assustado e sem forças para reagir, pode apenas observar de forma passiva ele lentamente erguer para trás o braço direito com o punho cerrado, ameaçando desferir o soco que certamente terminaria o confronto. Mas antes de nocauteá-lo, ele olhou em seus olhos de uma forma que congelou sua espinha e vociferou em um tom grave, quase que inumano – "Isso é pela velha" – Apenas o medo que sentiu naquele momento o teria feito perder a consciência, mas para sua infelicidade isso não aconteceu. A última coisa que viu, foi a mão da fera, erguida e fechada de forma firme, vindo em direção de seu rosto estraçalhando seus dentes. Steve esperou pacientemente até que os olhos de seu inimigo se fechassem, para só então lançá-lo como um saco de estrume no chão.

Agora só faltavam três...

Pisando sobre o corpo do atirador completamente inconsciente, ele caminhou em direção ao balcão e usando apenas uma das mãos, pulou para o outro lado. O pequeno ruído de vidro se estilhaçando na sola de seu coturno era só um aviso para os outros, que ele estava chegando para terminar de uma vez por todas aquilo que havia começado...

9.2.07

Prólogo - Parte 05

Once Upon a Time in New Mexico 05/10




Desde os seus quinze anos, quando penhorou o forno de microondas de sua avó para comprar sua primeira guitarra elétrica, Klaus
Øllendorf persegue o sucesso.

Ele soube o que queria ser pelo resto de sua vida após ouvir "The Number of The Beast", interpretada pelo então estreante Bruce Dickinson, enquanto passava em frente a uma loja de discos que ficava a quarteirões de sua casa. Foi paixão a primeira distorção. Na semana seguinte em que se recuperou da surra que levou de seu pai pela penhora, ele se juntou com amigos que como ele curtiam Iron Maiden, AC/DC, Black Sabbath, Judas Priest, entre vários outros ícones do heavy metal e formou sua primeira banda, o Mjolnir. Passaram-se longos oito anos desse dia até hoje, mais ele continua sendo o mesmo jovem rebelde e irresponsável. Apaixonado pelo som pesado, repleto de virtuosos solos de guitarra e letras inspiradas nos velhos contos “asgardianos” contados pelo seu avô durante sua infância.

Tocar fora da Noruega, sua terra natal, era não só para ele, mais como para todos de sua banda, a realização de um sonho. Finalmente estar ali, no berço do rock, dando o primeiro passo “rumo ao sucesso”, era o ápice de suas vidas e isso deveria ser comemorado. E foi, durante os últimos dez dias, todos eles regados a muita vodka, sexo, drogas e é claro, rock in roll. Quando perceberam que todas suas economias haviam desaparecido em pouco menos de duas semanas e só lhes restava o carro, o trailer onde dormiam e seus instrumentos. Klaus e seus amigos trataram de arrumar um lugar para tocar. Foi assim que eles chegaram ao El Rancho.

A casa estava ficando cheia. Eric, Harald e Svein cuidavam do som, enquanto Øllendorf se concentrava em seu ritual particular antes da apresentação. Normalmente além de exercícios específicos para suas cordas vocais ele sempre costumava tomar duas doses de vodka para “aquecê-las”. Hoje não poderia ser diferente, mas como tratava-se de uma noite de "estréia", Klaus tomou três só para garantir.

A medida em que o tempo foi passando, sua ansiedade também aumentava. Para piorar, alguma coisa parecia não estar dando certo com a parte elétrica na instalação dos instrumentos. Seus três amigos iam e vinham pelo salão, que cada vez mais estava ocupado por pessoas que aguardavam pelo inicio do show, com metros e mais metros de fios enrolados nos ombros, discutindo sobre tomadas, voltagens e extensões. Para aliviar a tensão, Klaus tomou algumas “margueritas” – contem duas ou três - e experimentou algumas doses da famosa tequila mexicana da “Mama Constancia”. Seis para ser exato.

“Dádiva dos deuses”, ele dizia - Sempre funcionava. Não demorou para que a mistura fizesse efeito. Logo se sentiu mais leve, solto e desinibido. Desceu do palco, conversou com o publico, riu, flertou e bebeu mais um pouco de cerveja.

“Pouco” é uma mera forma de expressão irônica...

Quando enfim tudo estava pronto e todos da banda demonstravam estar a postos, Klaus despediu-se de suas “novas amigas” e subiu cambaleante no palco. Concentrou-se apenas em ficar de pé por de trás do pano preto improvisado. Seus amigos de imediato perceberam o estado do vocalista e ao verem a multidão já impaciente, entraram numa onda conjunta de desespero. Afinal, eles precisavam muito daquele dinheiro. Svein mais do que depressa, se levantou da bateria e correu até uma das atendentes do bar implorando por um copo de “açúcar com um pouco de água”, torcendo com todas as forças para que a glicose cortasse um pouco o efeito do álcool. Harald foi para traz do pano e não pensou duas vezes quando derrubou sobre ele um balde de água e gelo. A todo momento ele o esbofeteava para que ele não caísse no sono. Eric parecia um corredor olímpico quando foi e voltou ao trailer para pegar outro molho de roupas para trocá-lo. Sem nem mesmo olhar para Klaus e Harald, ele jogou a trouxa de roupa na mão do baixista e imediatamente foi para frente do palco. As luzes se apagaram e o globo de prisma se acendeu. De improviso, começou um solo de guitarra para entreter o público e ganhar um pouco mais de tempo. Alguns minutos depois, Svein e Harald seguiram para seus postos, após se certificarem que o cantor dava sinais de melhora.

Quando o baixo e a bateria entraram na melodia frenética da guitarra, o vapor de gelo seco subiu e enfim chegava a hora da deixa na musica para que Klaus entrasse, todos fecharam os olhos pedindo para tudo o que fosse mais sagrado, para que o vocalista fizesse sua parte. Então com um belo gutural ele levantou a platéia e fez com que seus companheiros enfim respirassem aliviados. O álcool pareceu não afetá-lo de inicio. Tudo saiu perfeito durante a interpretação de “Welcome to the Raganarok”, e nas duas músicas seguintes. Mas na canção numero quatro, “In The Claws of Fenrir”, Klaus deu os primeiros sinais de não estar passando bem. Seus olhos pareciam estar sem foco, seus movimentos começaram a se tornar mais lentos e sua voz na melodia tornou-se descompassada. Eric, experiente e habilidoso, colocou a guitarra em evidencia com mais um solo destruidor e o publico nem sequer percebeu a recaída do vocalista, pelo contrario, urravam e pulavam como nunca no salão. Svein sem perder o ritmo, observava impotente seu companheiro esfregando insistentemente as mãos nos olhos como se quisesse apagar a força alguma imagem gravada em sua retina. Parecia assustado, olhava para tudo a sua volta desordenadamente como se estivesse cercado de perigo.

Definitivamente havia algo de muito errado com ele...

E por mais que todos da banda alimentassem a esperança de que fosse apenas um mal estar passageiro, a tragédia anunciada não demorou para se concretizar. Øllendorf foi subitamente tomado por uma forte sensação de vertigem, seguida de enjôo e dor intensa na região do abdômen. Cambaleou para a beira do palco com uma das mãos na cabeça e a outra se escorando no suporte do microfone, pedindo para que aquela sensação fosse embora logo. Tudo em sua volta parecia estar girando como um carrosel macabro, a dor era intensa. Sem forças para se conter, ele apenas sentiu o liquido quente queimando sua garganta a cima, terminando por regurgitar sobre uma telespectadora próxima a ele. Imediatamente um rapaz que parecia ser o namorado dela, agarrou firme nos seus tornozelos e o puxou, fazendo-o cair violentamente no chão. Com o tripé ainda firme em sua mão, Klaus afundou com toda sua força a base do suporte de metal na cara do seu agressor. O microfone voou e caiu próximo a caixa de som fazendo que uma microfonia aguda e intensa tomasse conta do recinto. Inerte no chão, o rapaz sangrava muito, parecia estar completamente desacordado, enquanto a garota toda suja, gritava a plenos pulmões para que ajudassem o seu namorado. O vocalista ainda zonzo, tentava se levantar, enquanto seus companheiros de banda já prevendo o pior, tratavam de pegar o que podiam entre seus instrumentos e acessórios de valor para sair logo dali. Os amigos do jovem que estavam longe do palco, quando perceberam o que a havia acontecido, correram como uma manada de búfalos em direção a banda. No meio do caminho, esbarraram em um motoqueiro bêbado que não gostou nada do choque, um caminhoneiro também não muito sóbrio tomou as dores. Uma confusão de proporções gigantescas deu-se inicio.


7.2.07

Prólogo - Parte 04

Once Upon a Time in New Mexico 04/10




Mesmo sem o rapaz aparentemente demonstrar muito interesse, Constancia se pós a falar. “Steve” foi obrigado a ouvir contos que remontavam o passado distante da família Cortez, desde o velho Hernan, o patriarca da família, que a dezenas de anos atrás partia da “Ciudad de Obregon” em uma jornada em busca de sucesso e realização rumo a América Norte, passando pela construção do El Rancho, até a triste e derradeira história da perda de seu marido e filho. Ao terminar seu relato, o semblante do rapaz encontrava-se perdido e distante, assim como seus pensamentos.

Desencadeadas pelas palavras da velha senhora, mil imagens atravessaram a mente de “Steve”. Mais uma vez ele presenciou um turbilhão de acontecimentos que pertenciam a um passado não muito distante, o qual ele exalstivamente tentava esquecer. Visões estas que o atormentavam todas as noites ao se deitar. Lembranças que o impeliam a partir a cada manhã para cada vez mais longe de pessoas que ele amava, de pessoas que faziam parte de sua vida e lhe faziam bem, longe de pessoas boas como Constancia. Uma fusão de sentimentos distintos como amor, saudade, culpa, raiva e arrependimento invadiram seu ser, mas antes que estes o dominassem ele os conteve. Então tão rápido quanto entrou neste universo de recordações, “Steve” despertou. Imediatamente se levantou olhando através da vidraça, como se estivesse procurando por alguém lá fora. Passou a mão sobre a alça de sua mochila e colocou-a sobre seu ombro esquerdo – “Obrigado pela hospitalidade” - disse o garoto olhando friamente para ela. Sem dar vazão a qualquer questionamento da senhora, virou-se seguindo em direção a saída. Constancia ficou atônita, sem entender absolutamente nada enquanto o viu passar pela porta.

Ao sair do estabelecimento, a brisa da noite lhe trouxe um aroma familiar, mas de certa forma desconhecido. Um arrepio gelado percorreu toda a extensão de sua espinha. Atento, olhou ao seu redor, em meio a escuridão da estrada. Até onde seus olhos alcançavam, nada se movia. Mas uma vez tudo estava quieto. Quieto demais. E ele mais do que ninguém sabia que isso não era nada bom. Parado em frente a porta, cada vez mais forte ele sentia uma sensação claustrofóbica o envolvendo, como se estivesse sendo cercado. Era como se a própria escuridão o abraçasse. Por instinto, deu um passo para trás e tocou a maçaneta da porta. Sem tirar os olhos da estrada, voltou para dentro do “saloon”.

Foi quando um agudíssimo e dolorido som estridente ecoou pelo bar. “Steve”, assim como todos ali dentro, levou imediatamente as mãos sobre os ouvidos, mas o timbre era tão alto, que seus tímpanos estavam o ponto de explodir. Os segundos que se passaram pareceram uma eternidade pela intensidade e dor causadas pelo barulho.

Ainda desnorteado, o rapaz tentou se recompor o mais rápido que pode. Seus ouvidos ainda zumbiam quando em fim seus sentidos entraram em sintonia, a visão era de selvageria generalizada. Um verdadeiro campo de guerra estava formado, onde motoqueiros e caminhoneiros se degladiavam ferozmente, distribuindo socos e pontapés em quem aparecesse pela frente. Confuso, “Steve” levou alguns segundos para assimilar o que “raios” havia acontecido ali.
Haviam copos e garrafas cruzando o salão, cadeiras e mesas sendo usadas como armas. O caos estava completamente formado e as coisas pareciam que não poderiam ficar piores...

Até que se ouviu um tiro...

Prólogo - Parte 03

Once Upon a Time in New Mexico 03/10




A fim de desmistificar suas suspeitas, Constancia foi direto ao ponto. "O que faz tão longe de casa, estranho? - Indagou ela num castelhano perfeito -” E por quê você quer saber?”- respondeu o garoto na mesma língua, sem nem mesmo levantar os olhos”.

Ela não conteve um leve sorriso. Sem querer ele havia dado mais uma pista, seu espanhol tinha um levíssimo sotaque e somente um país sul-americano não tem essa como sua língua corrente. Certa de suas conclusões, ela então respondeu - "Eu sou muito curiosa. E também gosto de conversar com brasileiros"- O rapaz grunhiu com indiferença e olhando com descaso irônico disse. "Lá de fora pensei que isso fosse um bar, não uma tenda cigana” Desta vez Constância gargalhou de verdade, ela adorava estar certa. Ela nunca errava. Talvez essa fosse a coisa que seu falecido marido Ruben mais odiava nela. Como se já não bastasse ser esperta ela tinha que ser exibida? Era o que ele sempre dizia...

Aos poucos ela se recompôs, sem ainda saber porque, ela havia simpatizado com o rapaz. Talvez porque inconscientemente esse jeito fechado, rebelde, mas ao mesmo tempo "levemente inseguro" lembrasse muito seu finado filho. Ela fez um sinal para que uma de suas garçonetes trouxesse algo para beber e voltou a papear com o garoto, mas ele parecia sempre estar na defensiva, tenso e desconfortável, talvez pelo fato dela saber sua origem.

Sem um pingo de timidez, a velha senhora tratou de quebrar rapidamente o clima desconfortavél com seu indiscutível carisma e jogo de cintura – “Desculpe, onde estão meus modos, eu me chamo Constancia Cortez, mas os pessoal aqui do El Rancho costuma me chamar de ”Mama” – era impossível não gostar da velha mexicana quando ela se dispunha a ser simpática, mas de alguma forma ele insistia em manter a conversa em um tom menos pessoal – “Steve” – ele respondeu estendendo a mão para um comprimento, ao mesmo tempo em que a garçonete colocava sobre a mesa uma imensa e cristalina caneca de cerveja, transpirando de tão gelada, coberta uma deliciosa espuma cremosa que ia além da borda. Depois de horas caminhando sob o sol quente, “Steve” olhou para aquilo como se fosse um verdadeiro oásis perdido – “Essa é por conta da casa. Claro, se realmente tiver idade pra beber isso “ disse a velha senhora. Sem pensar duas vezes o jovem tomou a caneca com a mão direita e virou lentamente o seu conteúdo refrescante aproveitando cada gole como se fosse o último.

Mama tinha certeza que aquele não era o seu verdadeiro nome, mas resolveu entrar no jogo para ver se ganhava um pouco mais de sua confiança e quem sabe assim, descobrisse mais alguma coisa sobre ele. Ela sabia o quanto era difícil recomeçar uma nova vida num pais que costuma desprezar latino-americanos, ela viveu isso e sempre se dispos a ajudar aqueles que como ela, um dia sonhou em vencer na América, mas ela precisava se assegurar de que estaria ajudando realmente uma boa pessoa...

Enquanto isso, ao fundo sobre o palco, os primeiros solos de guitarra já podiam ser ouvidos. As luzes foram se apagando enquanto um globo de prisma foi aceso. A platéia já impaciente urrou forte com o inicio do show. Palmas, assovios e gritos arrepiaram todos os integrantes da modesta banda. O baixo e a bateria entram na melodia poderosa do heavy metal, regido pela magia da guitarra, enquanto um pouco de água quente em um balde de gelo seco torna-se o ingrediente final para entrada de Klaus
Øllendorf, o vocalisa da banda convidada dessa noite, o Valhalla. Por detrás de uma cortina preta improvisada, um grito gutural com um forte sotaque escandinavo diz

– “Greetings América, Welcome to the Ragnarok”

6.2.07

Prólogo - Parte 02

Once Upon a Time in New Mexico 02/10




O cair da noite repentino, apanhou de surpresa o jovem alto e de constituição física considerável que caminhava solitário a beira da estrada. Seus passos eram largos e firmes, demonstrando ter pressa em chegar a seu destino. Ele trajava apenas um coturno, encoberto por uma surrada calça jeans azulada e uma camiseta regata simples, que provavelmente era da cor branca, antes de ficar completamente impregnada com a poeira da rodovia que margeava o deserto. Carregava consigo apenas uma mochila preta nas costas e um pequeno crucifixo prateado em seu pescoço.

Estava arfante, sujo e suado. A impressão que se tinha, era que ele estava caminhando por horas e horas neste mesmo ritmo frenético. Mas por que alguém em sã consciência faria isso? Ainda mais em uma estrada deserta e escura? Ele parecia preocupado, mas mesmo assim contido. De tempos em tempos, virava-se para trás como se quisesse assegurar-se de que não estava sendo seguido.

Estranhamente tudo estava parado e quieto. Quieto demais. Nem mesmo os sons dos animais noturnos se faziam presentes naquela noite de lua gibosa. Ele continuou caminhando e permaneceu assim por cerca de mais vinte minutos, até que finalmente parou. Pareceu sentir algo de diferente no ar. Mas ignorou momentaneamente seus sentidos ao avistar a uns setecentos metros a sua frente um ponto luminoso na escuridão. Correu aproximando-se para constatar se o brilho do neon vermelho e laranja com a inscrição "El Rancho Barstow" não era apenas efeito de sua permanecia sob o calor intenso do sol. Então, apertou ainda mais seus passos atraído pela luz forte do letreiro, mantendo sempre a mesma discrição e a atenção a tudo a sua volta, como se pudesse perceber algo no mais profundo da noite que mais ninguém conseguiria notar e cuidadosamente procurava não chamar sua atenção.

Sem pensar duas vezes, o jovem empurrou as portas do "saloon" e entrou no estabelecimento sem olhar para trás. Instantaneamente sentiu o choque térmico do ar quente colidindo contra seu corpo castigado pelo frio do cair da noite no deserto. Rapidamende o cheiro de álcool e principalmente do tabaco, os quais ja sentia a uma certa distância, agora começavam a queimar em seus pulmões devido a intensidade e proximidade. O coro de vozes aplicadas nos mais distintos diálogos possíveis, vinham de todos os pontos do salão e embaralhavam seus pensamentos. Ele tentou cordenar a loucura que acometia seus sentidos a medida em que caminhava para uma mesa livre. O lugar era amplo e bem decorado, o bar estava movimentado. Uma banda parecia estar fazendo os últimos ajustes no som para começar sua apresentação. Cadeiras e mesas antigas estavam espalhadas pelo local. Tudo ali inclusive as luzes que iluminavam o recinto davam um ar retrogrado, rústico mais muito aconchegante.

Por trás do grande balcão de madeira, uma mulher corpulenta e de olhar desconfiado encarava o recém chegado, enquanto limpava uma enorme caneca de cerveja com um pedaço de pano. Percebendo a insegurança da senhora, ele cumprimentou-a com um ligeiro movimento de cabeça e sentou-se, colocando sua mochila sobre a mesa. Constancia passou então a observá-lo. Seu cabelo era castanho, curto e tinha um estilo parecido com o militar. Sua pele era morena clara e parecia estar um pouco mais queimada no rosto, ombros e braços pela intensidade do sol da tarde. Ele era alto, certamente possuía mais de um metro e oitenta e tinha um físico atlético não muito freqüente para rapazes da sua idade. Seus olhos castanhos claros tinham um ar sério e ao mesmo tempo preocupado. Deveria ter aproximadamente dezenove anos, mais pelo seu porte e expressão, passaria facilmente por mais de vinte e um. Pela sua experiência de mais de quarenta anos de bar, certamente era mais um latino-americano ilegal encrencado com a imigração, isso na melhor das hipóteses...

Imediatamente ela foi até a mesa, puxou uma cadeira em frente a ele e sentou-se.

Prólogo - Parte 01

Once Upon a Time in New Mexico 01/10




Fevereiro de 1999 - Shiprock, extremo noroeste do estado do Novo México. Havia sido um dia quente, mas o sol se despedia aos poucos em um intenso crepúsculo alaranjado. A poeira revoava livremente sobre a pista vazia da "Highway Near". Parecia não haver mais nada ao alcance dos olhos além das rochas e do infindável terreno árido, a não ser pelo pequeno “barstow” na beira da estrada que se perdia no horizonte.

Sua fachada rústica trazia a sensação aos visitantes de estar diante de um verdadeiro "Saloon" retirado de um filme de faroeste. O velho "Best Western El Rancho Bar" era o mesmo desde sua fundação há décadas. Uma pequena mão de tinta na fachada, algumas alterações na parte hidráulica, na fiação e um enorme letreiro com o nome do estabelecimento na beira da estrada, foram as únicas modificações relevantes feitas ali nos últimos 50 anos. O que não deixava o estabelecimento menos aconchegante por dentro, pelo contrário, embora sua mobília fosse antiga, ela permanecia intacta ao tempo, dando ao lugar um ar nostálgico singular. Isso somente foi possível graças ao imenso cuidado que a simpática senhora conhecida como Constancia, atual proprietária e neta herdeira do fundador do bar, tinha para com o “saloon”.

Descendente de mexicanos, ela era uma mulher na casa dos sessenta anos, de traços marcantes, que revelavam a primeira vista seu sangue latino. Seus cabelos já foram de um tom negro intenso, mas hoje aqueles que ainda lhe restam, são cobertos pelos fios predominantemente brancos,
seus olhos também eram escuros, grandes e serenos, seus braços e corpo eram fortes, típicos de quem já havia dado a luz. Era desconfiada, cautelosa e às vezes ríspida com estranhos, mais se tornava uma verdadeira mãe, para seus amigos e mais assíduos visitantes. Estava sempre alegre e disposta a conceder conselhos. Mulher vivida e experiente, Constancia não se deixava abater por qualquer coisa e não se permitia transparecer as outras pessoas, o imenso vazio que sentia, dia após dia naquele bar, sozinha na beira da estrada.

Ela jamais reclamou abertamente dessa situação, talvez porque o “El Rancho” tenha sido tudo que a vida permitiu com que ela ficasse. Seu marido, um ex-caminhoneiro e seu filho de apenas dezenove anos, haviam morrido a alguns anos atrás em um acidente automobilístico. Sim, ela sentia a falta deles, todos os dias, do fundo de seu coração, mais Constancia permanecia ali, talvez esperando pelo milagre de vê-los entrar mais uma vez pela porta de madeira rústica, como sempre havia sido durante os trinta e oito anos de casada, como foi da primeira vez em que se conheceram, ali mesmo, entre uma parada ou outra das entregas daquele que seria seu marido, o bom e velho Ruben.

Mas enganam-se os incautos que a julgam uma presa fáci, simplesmente por estar num lugar relativamente inóspito. A Sra. Cortez estava longe de ser uma mulher indefesa. A “colt” sob a caixa registradora e a espingarda na parede atrás do balcão eram apenas um aviso para aqueles que ainda não a conheciam. "Precaução nunca é pouca e acreditem, um pouco de pólvora nas nádegas de arruaceiros é um santo remédio", é o que ela sempre diz ao lustrar a bela espingarda de caça. Para os curiosos e engraçadinhos que a questionavam sobre
a utilidade da enorme arma na parede, ou sobre a sua habilidade no manejo da mesma, ela costuma responder com um sorriso largo no rosto: – Filho, esta é uma calibre 20, compacta, leve e de rápido manejo, é ideal para tiros a curta distância sobre alvos em deslocamento consideravelmente veloz, como as codornas, caminhoneiros sem vergonha e curiosos que acham que vão criar confusão no meu bar e sair ilesos. Mais se você é somente um amante da caça como eu e quer pegar algo menor a curta distância, eu aconselharia ao invés desta, uma calibre 36, como a que eu escondo debaixo do meu avental - Então com um irônico piscar de um olho só, ela dá as costas e sai gargalhando por dentro, deixando a grande maioria de seus ouvintes atônitos ou no minimo mais precavidos...

O dia ja estava no fim, e os últimos raios de luz desapareciam dando lugar as primeiras estrelas. Essa noite prometia ser mais movimentada do que os outros dias da semana. Como sempre, haviam alguns caminhoneiros descansando para prosseguir viagem, mais a maior parte dos clientes de hoje, viriam para um pequeno show que Constancia havia contratado. Tratava-se de uma pequena banda de heavy metal norueguesa chamada; Valhalla. Embora esse não fosse nem de longe seu estilo de música preferido, ela sabia de cor e salteado que esse era o tipo de “barulho” que atraia motoqueiros, jovens viajantes e potenciais consumidores de cerveja da região. Certamente essa ia ser uma noite daquelas.

Nem mesmo ela imaginava o quanto...

21.7.06

Cenário de HG:LA

Matilhas, Territórios, a Cidade e o Rebanho





MATILHAS

Em Construção


TERRITÓRIOS

Neste novo jogo sobre lobisomens da White Wolf, os Uratha são muito mais territorialistas e dedicam toda uma vida protengendo, fortalecendo e expandindo um territorio.

Em "HG:LA" esse terreno foi meticulosamente escolhido e trabalhado por todos os envolvidos no projeto, para proporcionar a maior quantidade possivel opções e diversão, tanto para os jogadores, como para narradores, para que a matilha não ficasse eternamente ligada a um lugar monótono que com o tempo se tornasse estático e massante

Foi ai que depois de muitas pesquisas e discussões, chegamos na verdadeira "Sin City" americana:Las Vegas. Situada no coração de um deserto do oeste americano, a cidade por si só é um cenario rico e cheio de possibilidades a serem exploradas, tanto na cidade, com todo seu glamour e agitação noturna, como na variedade de espiritos que infestam o mundo espiritual desde o deserto que a cerca, até os movimentadíssimos cassinos que a tornam tão conhecida.

Seguem Abaixo os Territórios das Alcatéias de Vegas:

Stormriders (Cavaleiros da Tempestade): O raio de proteção do territorio da matilha atualmente, começa na avenida principal dos cassinos mais conhecida como "The Strip" e vai abrindo em forma "cônica" em sentido nordeste, pegando parte do bairro de Downtown, East Central, North Las Vegas, Nellis e segue deserto a dentro onde existe apenas a estrada interestadual conhecida como "Carbon County Route 15" e prossegue até quase fazer fronteira com a parte sudoeste do estado de Utah. Mas nem sempre o território foi tão rico e vasto. Em 1999, data de jogo que se inciou a campanha, o ano onde se passa o Prólogo e os capítulos subsequentes, quanto Steve e Klaus passaram a fazer parte da alcatéia, Paul estava ainda se reestrurando da perda dos antigos componentes dos Stormriders originais. Mike e Ray eram aprendizes e a pouco tinham sofrido a primeira transformação. Mesmo assim, suas chegadas deram um fio de esperança para o "Reverendo", que via seus dominios recuando dia após dia nas mãos de seus inimigos no periodo em que passou sozinho, apenas sobrevivendo sem ter como se defender ou evitar ataques. Seu território nessa época não passava de um vasto pedaço de terra no deserto e algumas partes de Nellis, Noth Las Vegas e um locus em uma igreja a oeste de Downtown



A CIDADE E O REBANHO

Las Vegas, é a maior cidade do Estado americano de Nevada. Localiza-se no sul do Estado, no Condado de Clark, do qual a cidade é sede. A cidade propriamente dita possui 534 837 habitantes, e sua região metropolitana possui cerca de 1,9 milhão de habitantes. A cidade foi fundada em 1905.

Famosa por seus cassinos, Las Vegas é conhecida como o "Parque de Diversões da América". Na Las Vegas Boulevard, mais conhecida como Strip, se encontram os cassinos mais imponentes do mundo como o Stratosphere, Treasure Island, Belaggio, MGM Grand e New York, New York, só para citar alguns.

Segundo o censo americano de 2000, Las Vegas possui 478 434 habitantes, 176 750 residências ocupadas e 117 538 famílias. A densidade populacional da cidade é de 1 630,3 hab/km²;. A cidade possui um total de 190 724 residências, que resultam em uma densidade de 649,9 residências/km². 69,86% da cidade são brancos, 10,36% são afro-americanos, 4,78% são asiáticos, 0,75% são nativos americanos, 0,45% são nativos polinésios, 9,75% são de outras raças e 4,05% são descendentes de duas ou mais raças. 23,61% da população da cidade são hispânicos de qualquer raça.

Existem na cidade 176 750 residências ocupadas, dos quais 31,9% abrigam pessoas com menos de 18 anos de idade, 48,3% abrigam um casal, 12,2% são famílias com uma mulher sem marido presente como chefe de família, e 33,5% não são famílias. 25% de todas as residências ocupadas são habitadas por apenas uma pessoa, e 7,5% das residências ocupadas na cidade são habitadas por uma única pessoa com 65 anos ou mais de idade. Em média, cada residência ocupada possui 2,66 pessoas e cada família é composta por 3,2 membros.

25,9% da população da cidade possui menos de 18 anos de idade, 8,8% possuem entre 18 e 24 anos de idade, 32% possuem entre 25 e 44 anos de idade, 21,7% possuem entre 45 e 64 anos de idade, e 11,6% possuem 65 anos de idade ou mais. A idade média da população da cidade é de 34 anos. Para cada 100 pessoas do sexo feminino existem 103,3 pessoas do sexo masculino. Para cada 100 pessoas do sexo feminino com 18 anos ou mais de idade existem 102,5 pessoas do sexo masculino.

A renda média anual de uma residência ocupada é de 44 069 dólares, e a renda média anual de uma família é de 50 465 dólares. Pessoas do sexo masculino possuem uma renda média anual de 35 511 dólares, e pessoas do sexo feminino, 27 554 dólares. A renda per capita da cidade é de 22 060 dólares. 11,9% da população da cidade e 8,6% das famílias da cidade vivem abaixo da linha de pobreza. 15,4% das pessoas com 17 anos ou menos de idade e 8,3% das pessoas com 65 anos ou mais de idade estão vivendo abaixo da linha de pobreza.

Estado: Nevada
Região administrativa: Condado de Clark
Área: 293,6 km²
Área água: 0,1 km² (0,04%)
População: 534 837 (2000)
Densidade: 1 840,2 hab/km²
Data de fundação: 1844
Incorporada em: 15 de maio de 1905
Website: www.lasvegasnevada.gov

Sistemas

As Regras do Jogo




Lobisomem: os Destituídos utiliza um conjunto de regras chamado Sistema Storytelling. Veremos a seguir os seus fundamentos:

• Testes com os dados: Ao lançar os dados, de acordo com o Sistema Storytelling, você não vai somar os resultados. Em vez disso, todo dado que tiver como resultado um valor igual ou superior a 8 será considerado um sucesso. Em geral, você só precisa de um sucesso para realizar uma tarefa, mas é sempre melhor obter vários deles (porque isso provoca maior dano em combate, por exemplo). Todo dado que tiver como resultado um “0” (que é considerado um 10) contará como um sucesso e poderá ser relançado (o que pode resultar em mais um sucesso). Se conseguir cinco sucessos ou mais, você terá um êxito excepcional. Se não obtiver sucessos, seu personagem terá falhado.

• Paradas de dados: O número de dados que você joga ao tentar fazer alguma coisa é sua parada de dados, geralmente composta pela soma de duas características de sua ficha de personagem (um Atributo e uma Competência), além dos modificadores impostos por qualquer tipo de equipamento especial que seu personagem venha a utilizar ou por condições adversas.

• Modificadores: O Narrador determina quais modificadores se aplicam a uma determinada parada de dados. Os modificadores aumentam ou reduzem a parada (o número de dados a serem lançados) e geralmente advêm das ferramentas empregadas (o bônus aparece na descrição das mesmas), das Vantagens que o personagem possui (discriminadas na descrição do personagem) ou de outras circunstâncias. O Narrador deverá conferir um bônus ou impor uma penalidade (que geralmente variam de +2 a –2) se as circunstâncias forem especialmente favoráveis ou prejudiciais. Por exemplo, a tentativa de escalar um muro escorregadio, molhado de chuva e cheio de limo estaria sujeita a uma penalidade de –2, mas a mesma ação, no caso de uma superfície repleta de apoios para as mãos e saliências, receberia um bônus de +2.

• Dado de sorte: Se os modificadores reduzirem sua parada de dados a zero (não existem paradas negativas), você ainda lançará um único dado (chamado dado de sorte). A obtenção de um 10 no dado de sorte leva ao êxito, mas qualquer outro resultado é considerado uma falha. E sim, se conseguir um 10 nesse teste, você poderá jogar o dado novamente e tentar obter mais um sucesso. Desde que continue a obter 10, você continuará gerando sucessos. A obtenção de 1 no dado de sorte indica uma falha dramática e o Narrador deve descrever os resultados especialmente incômodos (o revólver que emperra, o estouro de um pneu durante uma perseguição automobilística etc.).

• Ações: Quase tudo o que o personagem faz é considerado uma ação instantânea. Você determina a parada, lança os dados e verifica se teve êxito ou falhou. Em combate, você consegue realizar uma ação por turno. Às vezes, você precisará realizar uma ação prolongada, que representa uma atividade qualquer durante um certo período de tempo, como pesquisar sobre alguma coisa na biblioteca ou vasculhar uma sala. Nesse caso, cada teste representa uma quantidade pré-estabelecida de tempo (geralmente dez minutos, mas isso varia no caso de ações mais complicadas). Você acumula sucessos de um teste para outro até conseguir um certo número deles (discriminado no texto), quando então algo acontece ou seu tempo se esgota. Algumas ações também podem ser disputadas, o que significa que duas pessoas agem uma contra a outra, como numa queda-de-braço ou quando um personagem tenta passar despercebido por um guarda atento. Numa ação disputada, cada jogador (ou o jogador e o Narrador) lança a parada de dados do respectivo personagem; vencerá a pessoa com o maior número de sucessos. Por último, algumas ações são involuntárias, o que significa que elas acontecem automaticamente e não despendem tempo: você pode realizá-las simultaneamente a uma ação instantânea num mesmo turno.

• Turnos e cenas: O turno é um intervalo de três segundos empregado em combate. Uma cena é um intervalo maior (geralmente dura o tempo necessário para que todos façam o que pretendem num Determinado local). Alguns poderes dos lobisomens funcionam durante um turno apenas, mas outros duram uma cena inteira.


A FICHA DE PERSONAGEM

As fichas de personagens serão utilizadas pelos jogadores durante o desenrolar da história. Essas fichas reúnem todos os parâmetros de jogo que definem as capacidades de um personagem, organizados em vários tipos de características. A maioria dessas características varia de um (•) a cinco círculos (•••••), bem parecido com o sistema de classificação por estrelas dos hotéis. As diversas características representam coisas diferentes:

• Os Atributos representam capacidades inatas, como Força, Inteligência ou Presença.

• As Habilidades representam competências adquiridas, como o uso de Armas de Fogo ou a Medicina. Uma palavra ou expressão entre parênteses ao lado da Habilidade indica uma Especialização, uma área da dita Habilidade na qual seu personagem é especialmente talentoso. Se for necessário lançar uma parada de dados para a qual seu personagem não possui a Habilidade correta, você estará sujeito a uma penalidade de –1 (no caso da falta de uma Habilidade Física ou Social) ou –3 (no caso da ausência de uma Habilidade Mental). Se, por outro lado, você possuir uma Especialização relevante na Habilidade que compõe sua parada de dados, você obterá um modificador igual a +1.

• A Vitalidade determina em que grau seu personagem está ferido e se apresenta tanto em círculos quanto em pontos. Os círculos da ficha de seu personagem são preenchidos e representam o número total disponível quando ele não se encontra ferido. Os pontos de Vitalidade são registrados nas caixas (quadrados) correspondentes, denotando o estado de saúde atual do personagem (veja a seção “Vitalidade e dano” para saber como marcar os pontos de Vitalidade perdidos e conhecer os efeitos das penalidades devidas a ferimentos.)

• A Força de Vontade representa as reservas de seu personagem. Você pode usar um ponto (e apenas um) de Força de Vontade em qualquer teste para acrescentar três dados a sua parada. Como alternativa, você pode usar um ponto para elevar em dois níveis sua característica Defesa contra um único ataque. A Força de Vontade é valiosa, e você só poderá recuperá-la agindo de acordo com a Virtude ou o Vício de seu personagem. A Força de Vontade varia de um a dez, ao contrário da maioria das outras características.

• O Instinto Primitivo representa o poder intrínseco da natureza de lobisomem do personagem.

• A Essência é a quantidade de poder espiritual puro contido no corpo do lobisomem num determinado momento. Você usa Essência para ativar poderes diversos.

• Os Dons são poderes especiais dos lobisomens.

• As Vantagens são benesses naturais e especiais à disposição do personagem, coisas como Contatos, Recursos ou Aparência Surpreendente.

• A Defesa e o Modificador de Iniciativa são características empregadas em combate, explicadas logo abaixo na seção de mesmo nome.

• O Deslocamento é o número de metros que o personagem é capaz de percorrer num turno de combate e ainda assim realizar uma ação. O personagem conseguirá correr até duas vezes seu índice de Deslocamento num único turno se ele abrir mão de sua ação. O Deslocamento muito provavelmente será importante numa perseguição.

• A Harmonia é uma medida da moralidade de seu personagem, da eficiência com que ele é capaz de equilibrar as necessidades de sua natureza divisa de lobisomem. Seu personagem pode perder Harmonia durante o jogo. A Harmonia varia de um a dez, ao contrário da maioria das características.


COMBATE

Por estarem sempre caçando fugitivos voluntariosos do Reino das Sombras, os lobisomens atraem a violência. Quando irrompe uma luta, pode ser importante controlar quem está fazendo o que e com que gravidade os combatentes estão ferindo uns aos outros. Quando isso acontecer, siga estes passos:

Primeiramente, diga aos jogadores que seus personagens estão entrando em combate. Até o combate terminar, todos agirão turno a turno, sendo que cada personagem terá uma oportunidade de agir a cada turno. A seguir, peça a cada jogador um teste de Iniciativa, que é o resultado do lançamento de um único dado somado ao modificador de Iniciativa do personagem, listado na respectiva ficha (esse é um dos raros casos em que você soma o resultado do dado ao valor de uma característica em vez de lançar uma parada de dados e contar os sucessos). Começando com o personagem que obteve o maior resultado de Iniciativa e continuando em ordem decrescente até o valor mais baixo, cada personagem terá direito a uma única ação (geralmente um ataque). O jogador pode optar por adiar a ação de seu personagem até um momento posterior da ordem de Iniciativa ou até o turno seguinte, se assim desejar. Resolva a ação de cada personagem antes de perguntar ao jogador seguinte o que o personagem dele vai fazer. Se um personagem atacar outro, o agressor lançará a parada de dados apropriada:

• Combate próximo desarmado: Força + Briga – a Defesa e a blindagem do alvo (se for o caso);
• Combate próximo à mão armada: Força + Armamento – a Defesa e a blindagem do alvo (se for o caso);
• Combate a distância (armas de fogo e arcos): Destreza + Armas de Fogo – a blindagem do alvo (se for o caso);
• Combate a distância (armas de arremesso): Destreza + Esportes – a Defesa e a blindagem do alvo (se for o caso).

Acrescente outros dados de acordo com a arma empregada ou o efeito produzido, depois subtraia as penalidadescircunstanciais (o uso de uma arma improvisada, como, por exemplo, a tampa de uma lata de lixo ou uma placa de sinalizaçãoquebrada, impõe uma penalidade de –1 ao teste de ataque). O jogador lançará os dados remanescentes. Cada sucesso equivalerá a um ponto de Vitalidade perdido e o tipo de dano será determinado pela natureza do ataque. O Narrador, então, descreverá o ataque e o ferimento em termos narrativos. Tão logo todos tenham agido, um novo turno terá início,e o jogador com o resultado mais alto de Iniciativa poderá agir novamente. Os jogadores não fazem novos testes de Iniciativa a cada turno.


COMPLICAÇÕES

• Como evitar o dano em combate próximo: A Defesa do personagem representa sua habilidade instintiva de se abaixar e evitar golpes, o que torna o combate próximo mais difícil. Por isso, a característica é aplicada como uma penalidade às paradas de ataque dos agressores. Se ainda não tiver agido num determinado turno e estiver disposto a abrir mão dessa ação, o personagem poderá se esquivar, o que duplicará sua Defesa durante o resto do turno. No entanto, se for atacado mais de uma vez num mesmo turno, o personagem terá mais dificuldade para evitar ferimentos. Para cada ataque desferido contra ele, sem contar o primeiro, reduza a Defesa do personagem em um nível (mínimo 0). Se o personagem estiver se esquivando, a Defesa duplicada ainda será reduzida em um nível para cada ataque adicional.

• Como evitar o dano em combate a distância: A não ser que o agressor se encontre perto o bastante para desferir facilmente um ataque em combate próximo (alguns centímetros) ou então arremesse uma arma, a Defesa não se aplica. Para evitar o dano num tiroteio, você pode procurar abrigo (esconder-se atrás de algo sólido) ou prostrar-se (ficar rente ao chão). Prostrar-se toma uma ação do personagem,
mas impõe uma penalidade de –2 aos ataques a distância. No entanto, quem estiver perto o suficiente do alvo para atingi-lo em combate próximo (alguns centímetros) terá um bônus de +2 para acertar o personagem prostrado.

• Abrigo e encobrimento: Se o personagem estiver parcialmente escondido atrás de um objeto, será mais difícil atingi-lo com ataques a distância. A penalidade varia de –1 (agachar-se atrás de uma cadeira de escritório) a –3 (enfiar-se numa trincheira). Se você estiver completamente escondido, o agressor não estará sujeito a uma penalidade na parada de dados, mas terá de conseguir sucessos suficientes para atravessar o objeto interveniente (chamado de abrigo) com os disparos. Perfurar um objeto reduz o número de sucessos obtidos de acordo com a Durabilidade do abrigo: 1 (no caso de madeira ou vidro espesso) a 3 (no caso de aço). Se essa penalidade reduzir o número de sucessos a zero, o ataque não conseguirá atravessar o abrigo e você não sofrerá dano.

• Alcance: Toda arma de projétil apresenta três alcances relacionados em metros no formato curto/médio/longo. O agressor não fica sujeito a qualquer penalidade quando seu alvo se encontra a curta distância. Se o alvo estiver a média distância, o atirador estará sujeito a uma penalidadede –2. A longa distância, a penalidade sobe para –4.


VITALIDADE E DANO

• Tipos de dano: Existem três tipos de dano, cada um mais grave que o outro: contundente, letal e agravado. O dano contundente geralmente é provocado por ataques contundentes ou atordoantes. O dano letal costuma ser provocado por cortes, balas e outros ataques mais graves (como a mordida de um lobisomem). O dano agravado costuma ser provocado por ataques sobrenaturais especialmente terríveis.

• Como anotar o dano: Quando o personagem recebe dano, o jogador marca o número de pontos de Vitalidade perdidos, a começar pela caixa abaixo do círculo mais à esquerda da característica Vitalidade, prosseguindo então da esquerda para a direita. O símbolo utilizado depende dotipo de dano. O dano contundente é anotado com uma barra (/) na primeira caixa vazia disponível. Portanto, supondo-se que um personagem que tenha sete círculos de Vitalidade acabou de receber um ponto de dano contundente, seu painel de Vitalidade ficará assim:


O dano letal é indicado por um X e empurra todo o dano contundente sofrido anteriormente para a direita (de maneira a aparecer sempre à esquerda do dano contundente). Se ele receber em seguida um ponto de dano letal, o painel ficará assim:


O dano agravado é anotado com um grande asterisco (*), resultado do acréscimo de um traço vertical e outro horizontal a um X. Também empurra todo o dano letal e contundente anterior para a direita (de maneira a aparecer sempre à esquerda do dano letal ou contundente). Se o mesmo receber em seguida um ponto de dano agravado, seu painel ficará:


• Penalidades devidas a ferimentos: Se o personagem for reduzido a três pontos de Vitalidade ou menos (não importa o tipo de dano), o jogador estará sujeito a penalidades em todos os testes. Quando a antepenúltima caixa for marcada com um ferimento, a penalidade será de –1; quando a penúltima for marcada, o modificador será de –2; quando a última for marcada, a penalidade será de –3 (esses modificadores aparecem na ficha de personagem para facilitar a consulta). Essas penalidades se aplicam a todos os testes, exceto aqueles relacionados à perda de Harmonia (a seguir).

• Vitalidade esgotada: Marcar a última caixa de Vitalidade geralmente significa que o personagem está incapacitado. Se o ferimento mais à direita for contundente (e o personagem for humano), ele perderá a consciência. Se esse ferimento mais à direita for letal ou agravado, o personagem mortal sangrará até morrer. Observe que isso significa que o personagem não apresenta mais dano contundente, pois se trata da caixa da extrema direita. Os lobisomens reagem de maneira diferente a essas condições, dependendo da forma na qual se encontram.

• Dano adicional: Um ser humano inconsciente ou um lobisomem gravemente ferido ainda pode receber dano de novos ataques. Como não há mais caixas de Vitalidade a serem preenchidas, você representará esse dano adicional ao atualizar os ferimentos pré-existentes. Todo novo ferimento letal ou contuso promove um ferimento contuso pré-existente a letal (transforme a barra mais à esquerda num X). O dano agravado adicional converte um ponto de dano letal ou contundente em agravado (transforme o X ou a barra mais à esquerda num asterisco).

• Recuperação: Os mortais se recuperam com descanso e cuidados médicos. Os lobisomens conseguem se recuperar mais rapidamente e podem usar Essência para reparar o dano a velocidades ainda maiores.


A CONDIÇÃO DE LOBISOMEM

Este resumo de regras não lida explicitamente com a descrição da descoberta, por parte dos personagens, de que eles são lobisomens, até porque, o Prólogo de nosso conto já exemplifica bem essa transição, portanto é bom que o narrador liste num único lugar alguns dos efeitos de jogo com os quais os lobisomens de sua mesa de jogo precisarão lidar.

• Os dois mundos: Os lobisomens nascem, crescem e aprendem a viver no mundo físico, mas também fazem parte de um mundo diferente. Esse mundo (o Reino das Sombras) é paralelo ao nosso e fica do outro lado de uma barreira mística conhecida como o Dromo. O Reino das Sombras é o mundo dos espíritos e já esteve ligado ao nosso pelas bordas. Mas, mesmo hoje, as coisas que acontecem por lá afetam o mundo físico e vice-versa, e é por isso que os lobisomens precisam se esforçar tanto para manter as coisas em harmonia. Se um lobisomem quiser enxergar o outro lado do Dromo para ver o que acontece por lá, o jogador fará um teste de Raciocínio + Empatia + Instinto Primitivo. Obtendo êxito, o personagem conseguirá ver uma imagem borrada do outro lado do Dromo durante um turno (e deixará de perceber o lado do Dromo no qual se encontra no momento). Os lobisomens enxergam espíritos que fugiram para o mundo físico (mas que ainda não tenham escolhido um hospedeiro ou grilhão) mesmo quando esses seres continuam invisíveis para os seres humanos normais. Se desejar atravessar fisicamente o Dromo e entrar no mundo espiritual (ou dele sair), o lobisomem terá, primeiro, de encontrar um locus. O locus é uma fonte de energia espiritual que diminui a espessura do Dromo e atrai espíritos de todos os tipos, que se alimentam da energia que brotou dali. Depois de encontrar um desses lugares, o personagem se coloca na área de influência do locus (que fica maior à medida que o poder do locus aumenta) e o jogador faz um teste de Inteligência + Presença + Instinto Primitivo. O lobisomem sabe instintivamente que está entrando na área de influência de um locus, mas não sabe ao certo onde o lócus fica. Para encontrar o locus específico, peça ao jogador um teste de Raciocínio + Investigação + Instinto Primitivo.

• Essência: Os lobisomens têm uma característica chamada Essência, que representa a quantidade de poder espiritual puro contido no corpo do personagem lobisomem no momento. Os lobisomens trazem a Essência do outro lado do Dromo (armazenando-a num locus) e usam-na para ativar diversos efeitos especiais do jogo. Os lobisomens jovens, que têm Instinto Primitivo 1, conseguem usar apenas um ponto de Essência por turno e reter, no máximo, dez pontos de Essência por vez. Os lobisomens um pouco mais experientes, que têm Instinto Primitivo 2, também só conseguem usar um ponto de Essência por turno, mas são capazes de reter onze pontos de Essência por vez. Se o personagem não tiver Essência para usar, os efeitos que exigem o investimento dessa característica vão falhar automaticamente. Os personagens recuperam Essência ao tocar a forma física de um locus (seja no mundo físico ou no Reino das Sombras) e depois de os respectivos jogadores passarem em testes de Harmonia. Cada sucesso obtido no teste (ou seja, cada dado lançado que tiver como resultado 8 ou mais) confere ao personagem um ponto de Essência. Os loci, no entanto, conseguem gerar e reter somente uma certa quantidade de Essência por vez e, portanto, não adianta ser egoísta nem perdulário.

• Metamorfose e Fúria: Por serem filhos da lua inconstante, os lobisomens podem assumir quatro formas naturais e uma forma de batalha especial. Cada forma propicia modificadores especiais aplicáveis a várias características. As formas naturais oferecem vantagens adaptadas especificamente a certas funções dos Uratha (como lidar com seres humanos, celebrar rituais ou caçar). A forma de batalha só tem uma serventia, mas é muito boa no que faz, o que transforma os lobisomens nas máquinas de destruição mais temíveis que este mundo já viu. Para que os personagens mudem de forma, os jogadores fazem testes de Vigor + Sobrevivência + Instinto Primitivo. Obtendo êxito, o personagem assumirá a forma desejada pelo jogador e suas características mudarão de acordo com os parâmetros fornecidos na ficha (no caso da metamorfose, faça o teste usando sempre o índice inalterado de Vigor, independentemente da forma na qual o personagem se encontra). A mudança de forma leva um turno inteiro e o personagem não poderá fazer mais nada nesse período. Se quiser, porém, o jogador poderá usar um ponto de Essência para que seu personagem mude instantaneamente, sem precisar de um teste. As quatro formas naturais são: Hishu (a forma humana, que todos os lobisomens têm ao nascer), Dalu (uma forma humanóide mais forte e animalesca, usada pelos lobisomens na prática de rituais), Urshul (a forma selvagem de um terrível lobo pré-histórico) e Urhan (a forma de um lobo normal). Se um lobisomem em qualquer uma dessas formas receber dano suficiente a ponto de ficar inconsciente ou morrer, ele reverterá automaticamente para a forma Hishu. A quinta forma dos lobisomens (Gauru) é a forma de batalha, com a qual eles dão vazão ao poder de sua Fúria (um legado de força deixado por Pai Lobo). O lobisomem assume a forma de batalha exatamente como assumiria qualquer outra forma, mas o uso que se faz dela é diferente e não tão estável. Por exemplo, o lobisomem é capaz de assumir a forma de batalha apenas uma vez por cena e conseguirá mantê-la durante um número de turnos igual a sua parada de Vigor + Instinto Primitivo (não se esqueça de usar o índice inalterado de Vigor para determinar essa parada). Depois disso, ele terá de voltar imediatamente à forma Hishu, ou então o jogador terá de fazer um teste ou usar Essência para assumir outra forma. Enquanto estiver Enfurecido (ou seja, na forma Gauru), o lobisomem não conseguirá fazer mais nada além de atacar ou se deslocar na direção de um oponente que ele pretenda atacar, nem será capaz de empregar armas complexas, como revólveres ou arcos. Tampouco terá presença de espírito suficiente para manter uma conversa. O lado bom da coisa é que ele estará imune às penalidades devidas a ferimentos enquanto estiver Enfurecido e os ataques desferidos com os dentes e as garras provocarão dano letal.

• A Fúria Mortal: O lobisomem tomado pela Fúria é um adversário temível e capaz de abalar os inimigos. No entanto, o lobisomem que perde o controle e sucumbe à Fúria Mortal é um perigo não só para seus inimigos, mas também para seus aliados e até mesmo para si próprio. Ele se transforma numa máquina de matar irracional, incapaz de distinguir amigos de inimigos e de impedir a si mesmo de estraçalhar qualquer coisa na qual consiga enfiar os dentes e as garras. É possível evitar a Fúria Mortal, mas, depois de iniciada, não há como detê-la. Para tentar impedir um acesso de Fúria Mortal, o jogador que interpreta o lobisomem faz um teste de Perseverança + Autocontrole e torce para obter êxito. Se ele falhar, o lobisomem assumirá a forma Gauru (sem teste nem investimento de Essência; mesmo que o personagem já tenha assumido essa forma durante a cena) e atacará qualquer coisa que estiver a seu alcance. A Fúria Mortal terminará ao fim da cena, ou quando todos ao redor do lobisomem estiverem mortos, ou então quando o próprio lobisomem for morto ou ficar incapacitado. O lobisomem corre o risco de sucumbir à Fúria Mortal ao receber dano agravado, ou quando uma de suas três últimas caixas de Vitalidade é marcada, ou então quando é ferido ou humilhado terrivelmente numa situação fora de combate. Essas duas últimas circunstâncias, fora de combate, ficam a critério do Narrador, mas é preciso que a humilhação seja relativamente significativa. Escorregar numa casca de banana e provocar o riso de um pedestre provavelmente não será suficiente para incitar a Fúria Mortal, mas descobrir que a namorada está traindo o lobisomem com o melhor amigo dele (ou um companheiro de alcatéia) sem dúvida o fará.

• Vitalidade e Regeneração: Ao mudar de forma, os lobisomens recebem certos modificadores que são aplicados a seu Vigor. Com o aumento de Vigor, a Vitalidade também aumenta (essas variações já foram contabilizadas nas fichas de personagem). Se um lobisomem receber dano excessivo nessas caixas de Vitalidade adicionais e depois assumir uma forma com um índice de Vitalidade menor, os ferimentos a mais acabarão atualizando os ferimentos anteriores. Felizmente, os lobisomens se recuperam muito mais rápido que os seres humanos. Não importa o que estejam fazendo, os lobisomens conseguem regenerar instantaneamente um ponto de dano contundente por turno (da direita para a esquerda no painel de Vitalidade) no início de sua ação nesse mesmo turno. Se quiser, o jogador terá a alternativa de usar um ponto de Essência para seu personagem regenerar um ponto de dano letal. Mesmo se o personagem estiver inconsciente ou à beira da morte, essa regeneração ainda ocorrerá se o jogador assim desejar. Contudo, os personagens não conseguem regenerar dano agravado. É preciso deixar o tempo curar esses ferimentos.

• Sentidos aguçados e rastreamento: Com a exceção da forma Hishu (ou seja, a forma humana), as outras formas dos lobisomens têm sentidos muito mais aguçados. Sendo assim, os personagens lobisomens recebem bônus em todos os testes de percepção (Raciocínio + Autocontrole) pedidos pelo Narrador quando os personagens se encontram nessas formas alternativas. Esses bônus já foram contabilizados nas fichas de cada personagem. O olfato torna-se especialmente apurado, o que permite aos lobisomens rastrear suas presas a grandes distâncias e muito tempo depois da caça ter passado por um determinado lugar. Quando o lobisomem encontra o rastro da presa (ou percebe outros sinais da passagem da caça), o jogador faz um teste de Raciocínio + Sobrevivência para ver se conseguirá segui-lo. Se perceber que está sendo seguida, a presa poderá tentar disfarçar seu rastro, o que lhe permitirá disputar com o jogador que interpreta o lobisomem o teste de Raciocínio + Sobrevivência. A caça, contudo, poderá per correr apenas metade de seu Deslocamento se estiver tentando ocultar seu rastro. O Narrador determinará quantos sucessos o rastreador precisará acumular numa série de testes para alcançar a presa (geralmente de três a dez, dependendo da vantagem inicial da caça). No entanto, se o lobisomem tiver provado o sangue da presa — o que não chega a ser uma ocorrência anormal —, ele terá uma vantagem. No decorrer de um ano, a contar do momento em que provou o sangue da presa, ele sempre terá um bônus adicional de +4 em todos os testes realizados para rastreá-la. O gosto do sangue não é uma bússola mágica que sempre aponta o caminho certo, mas, se o lobisomem encontrar um sinal do rastro da presa, o modificador de +4 poderá ser aplicado.

• Prata: As armas de prata provocam ferimentos terríveis nos lobisomens. O simples contato com a prata não machuca os lobisomens, mas a estocada de uma lâmina de prata ou uma bala feita desse metal provoca dano agravado. O número de pontos de dano é determinado normalmente pelo número de sucessos obtidos pelo agressor em seu teste de ataque.

• O Juramento da Lua: Luna perdoou os Uratha por terem abatido Pai Lobo, mas não sem antes impor algumas condições. Ela os fez jurar que seguiriam um código de conduta que (e não por mera coincidência) está de acordo com a manutenção da harmonia que é essencial para sua existência. Entre os preceitos mais importantes do Juramento da Lua estão: não matar uns aos outros (nem sequer erguer armas de prata uns contra os outros), não revelar a existência dos lobisomens à humanidade, não devorar a carne de homens e lobos e não se acasalar com outros lobisomens ou lobos.

• A perda de Harmonia: O maior medo de um lobisomem é perder completamente o equilíbrio entre o homem e o animal, ou entre a carne e o espírito. Quanto mais hediondos forem os pecados cometidos, mais rapidamente despencará a Harmonia. Com índice 7 de Harmonia (ponto no qual todos os personagens começam), acasalar-se com outro Uratha ou cometer qualquer ato pior que esse pode provocar uma degeneração moral (a perda de Harmonia). Quando o personagem faz algo desse gênero, o jogador lança um número de dados proporcional à gravidade do pecado. Quanto pior for o pecado, menor será o número de dados lançados (matar desnecessariamente um ser humano ou um lobo exige três dados; trair a alcatéia, dois). Se falhar no teste, o personagem perderá um ponto de Harmonia (não é possível usar Força de Vontade nesse teste).

Os personagens que têm a Harmonia reduzida justificam seu pecado em vez de se arrepender e tornam-se muito mais desequilibrados. Agora será necessário um pecado mais grave para provocar um novo teste de degeneração. Com Harmo nia 6, matar desnecessariamente um ser humano pode desencadear esse teste, bem como revelar a existência dos lobisomens para um ser humano. Com Harmonia 4, o personagem poderá revelar o que quiser para um ser humano desde que o mate em seguida, antes que ele revele o segredo a mais alguém. Com Harmonia 2, o personagem pode matar todos os seres humanos ou lobos que quiser, desde que não os cace para obter alimento. Com Harmonia 1, o personagem pode caçar qualquer criatura viva para comer, exceto outros lobisomens. Os personagens que perdem Harmonia também correm o risco de sofrer desequilíbrios mentais. Se falhar num teste de degeneração, o jogador deverá fazer imediatamente um novo teste com a parada reduzida de Harmonia do personagem. Se ele falhar nesse teste, seu personagem vai adquirir uma perturbação, que pode ser qualquer forma de transtorno mental leve mas constante, como a depressão ou uma fobia. O jogador deve interpretar essa nova peculiaridade do personagem, mas a perturbação não afetará as regras do jogo.

• Interação com seres humanos: Apesar de a maioria deles ser criada por pelo menos um progenitor humano, os lobisomens não são realmente humanos. À medida que seu Instinto Primitivo aumenta, eles vão deixando de entender os sinais sociais dos rebanhos humanos. Ao interagir socialmente com os seres humanos (ou seja, ao fazer testes Sociais em ações interativas), os lobisomens ficam sujeitos a uma penalidade em suas paradas de dados de acordo com seu Instinto Primitivo. A penalidade para os personagens de Instinto Primitivo 1 ou 2 é igual a –1. Contudo, essa penalidade não se aplica aos testes que envolvem Intimidação. Os lobisomens não precisam entender os seres humanos para conseguir amedrontá-los.

• Aluamento: O lobisomem que se encontra na forma Dalu (quase-homem), Urshul (quase-lobo) ou Gauru (homem -lobo) é muito assustador. A presença de um lobisomem numa dessas formas provoca um terror sobrenatural e indescritível conhecido como Aluamento. O grau com que o Aluamento acomete a vítima depende da Força de Vontade do indivíduo. O ser humano que tem Força de Vontade 1 a 4 (o tipo mais comum) acabará fugindo, tomado de um pânico cego e simiesco, e passará por cima de qualquer um que se ponha em seu caminho. Se não conseguir correr, ele simplesmente vai desabar e implorar misericórdia ou então ficar catatônico. Quando esse terror irracional finalmente ceder, a pessoa vai bloquear por completo o incidente ou recordar uma versão bem menos terrível dos acontecimentos (por exemplo, ela poderia pensar que foi simplesmente atacada por um urso pardo raivoso). Uma testemunha acima da média, com um índice de Força de Vontade entre 5 e 9, não deixará de ser acometida pelo medo e provavelmente tentará fugir. No entanto, ela fará o possível para despistar ou deter seus perseguidores (trancando portas ou tentando se esconder numa usina de reaproveitamento de gordura animal), em vez de simplesmente disparar numa direção qualquer até desmaiar. Se não for capaz de correr, pode ser que ela ainda consiga lutar ou argumentar com o monstro que a aflige. Passado o medo, ela reterá uma lembrança confusa e terrível dos acontecimentos, mas não confiará totalmente em sua memória. Um ser humano com Força de Vontade 10 não será afetado pelo Aluamento. É claro que estará com medo e poderá ainda sentir o desejo perfeitamente racional de dar no pé, mas não será privado de nenhuma de suas faculdades normais. Circunstâncias diferentes acrescentam modificadores efe tivos à Força de Vontade do alvo quando a finalidade é determinar o Aluamento. Se o lobisomem estiver na forma Dalu (quase-homem), trate o índice de Força de Vontade da vítima como se fosse quatro círculos mais alto. Se o lobisomem estiver apenas na forma Urshul (quase-lobo), trate o índice de Força de Vontade da vítima como se fosse dois círculos mais alto. Trate o índice exatamente como ele estiver marcado na ficha quando o lobisomem se encontrar na forma de batalha. Os seres humanos que têm sangue lupino (ou seja, parentes de lobisomens) recebem um modificador adicional de Força de Vontade igual a +2 para determinar os efeitos do Aluamento. Quando houver mais de um lobisomem presente, em diferentes formas incitadoras do Aluamento, aplique os efeitos da forma mais assustadora (em ordem decrescente: Gauru, Urshul e Dalu). Se mais de um ser humano estiver presente quando o Aluamento for evocado (principalmente se os personagens se encontrarem cercados por “figurantes” humanos numa determinada cena), use a Força de Vontade mais alta para representar todos eles.


ESPIRITOS E LOCI

Os lobisomens interagem bastante com os espíritos. Aqueles que fogem do Reino das Sombras e entram no mundo físico são as presas mais comuns, e os poderosos soberanos espirituais são os adversários mais encarniçados dos Uratha. Espíritos e seres materiais têm características ligeiramente distintas e os primeiros seguem algumas regras diferentes.

• Atributos: Em vez dos nove Atributos dos personagens, os espíritos e fantasmas têm apenas três. O Poder é usado em lugar de Inteligência, Força e Presença. O Refinamento é usado em lugar de Raciocínio, Destreza e Manipulação. A Resistência é usada em lugar de Perseverança, Vigor e Autocontrole. Se o espírito deseja atacar, faça um teste de Poder + Refinamento (aplica-se normalmente a Defesa do alvo), sendo que cada sucesso obtido provocará um ponto de dano letal.

• O Corpus é o equivalente espiritual da Vitalidade. Se perder todo o seu Corpus, o espírito vai se desincorporar e desaparecer. Voltará a se refazer no Reino das Sombras daí a dois dias, quando então terá um círculo de Corpus, e depois vai recuperar um círculo de Corpus a cada dois dias. Os ataques físicos só conseguirão desgastar o Corpus de um espírito se a entidade tiver se materializado de alguma maneira ou se o agressor for beneficiado por algum tipo de poder espiritual. Se perder toda a sua Essência e todo o seu Corpus, o espírito será destruído permanentemente.

• A Influência representa a capacidade de um espírito de controlar ou manipular o próprio conceito que o gerou. Quanto maior for o índice do espírito numa certa Influência, maior será o poder dessa entidade sobre o conceito.

• Os Numes são os diversos poderes sobrenaturais dos espíritos. Muitos só podem ser usados no mundo físico, depois da manifestação (a seguir).

• O Posto representa a posição do espírito no estranho mundo competitivo dessas entidades. O Posto de um espírito pode angariar-lhe o respeito de seus semelhantes e reflete seu nível bruto de poder.

• A Essência é a força vital do espírito, o poder espiritual sem o qual ele não existe. Os espíritos usam Essência para fazer várias coisas, mas todos os espíritos usam um ponto a cada nascer da lua para sobreviver. Os espíritos que se insinuam no mundo físico são obrigados a usar, a cada hora, um número de pontos de Essência igual ao valor de seu Posto, até conseguirem se apossar de um hospedeiro ou unir-se a um objeto inanimado por meio de seus Numes.

17.7.06

Introdução

Explicações e Apresentações




Sejam muito bem vindos estimados leitores ao "Stormriders - Hunting Grounds: Las Vegas", um blog de contos baseado em meu cenário particular de campanhas para o jogo: "Werewolf the Forsaken" da editora americana White Wolf. A trama desenrola-se na famosa cidade de Las Vegas e contará a saga de uma das matilhas em ascensão na verdadeira "Sin City" americana: os "Stormriders", mostrando o dia dia de seus componentes e a batalha constante que eles travam para manter o equilíbrio entre o mundo físico e o espiritual dentro de seu território...



- A Proposta de HG:LA Stormriders:

Desde quando idealizei a idéia de romancear a história, meu objetivo principal sempre foi tornar a narrativa o mais próxima do real o quanto fosse possível. Por isso, vocês encontrarão no Prólogo, um enfoque maior na riqueza descritiva dos personagens e suas vidas antes da descoberta de suas novas realidades, justamente em prol desse ar plausível que essa gama de informações trás nos acontecimentos que vão se desenrolando. Fiz isso justamente para deixar o texto acessível, tanto para leitores que não conhecem o jogo de RPG e no entanto são apreciadores da leitura de contos de aventura, como para esclarecer para aqueles que já tem uma bagagem "rpgistica"; de que o blog não se trata de mais um "diário de guerra" de pura pancadaria, mas sim um conto com texto coeso e profundidade, que descreve detalhadamente o caminho de jovens normais que conheceram uma outra realidade imposta em suas vidas e tiveram que aprender a lidar com suas novas responsabilidades e adversidades.

Mostrar os nuances e diferenças entre o cenário antigo e o novo é outra (se não a mais importante) das propostas. Esse foi o grande motivo que me fez usar a narrativa "passo a passo" neste projeto, além dos tópicos "Nota do Narrador", pelo menos durante o Prólogo, justamente para quem for leigo e se interessar em aprender mais sobre Destituídos, possa ir se habituando com o cenário junto com os personagens da trama...


- Sobre os Lobisomens (Uratha) de Werewolf the Forsaken

HG:LA - Stormriders, como mencionado acima, é um cenário próprio, baseado no livro Werewolf de Forsaken, lançado pela editora americana White Wolf e que foi traduzido e é distribuído aqui no Brasil pela editora Devir, com o título; Lobisomens os Destituídos. Para quem já conhece os antigos trabalhos da editora, sabe que esse novo jogo é o sucessor comercial de Lobisomem o Apocalipse, porém não é uma continuação do mesmo. Como seu antecessor, Destituídos ou Forsaken, é um jogo de interpretação construído com base nos mitos da cultura popular para criar uma visão única dos lobisomens, embora haja diferenças enormes entre Forsaken e seu antecessor.

Nessa nova perspectiva, os lobisomens são caçadores acima de tudo. Esse é seu dever e destino, são eles que devem manter o equilíbrio entre o Mundo Material e o Mundo Espiritual. Todos descendem do maior predador que já existiu e continuam o seu trabalho mantendo o espírito e a carne em seu devido lugar nos dois mundos. Os Uratha como são chamados, são meio-carne e meio-espiríto, tratados como aberrações pelos espíritos e distanciados dos humanos pela fera latente em seus interiores. Embora essencialmente eles sejam um pouco de ambos, eles jamais pertencerão efetivamente a qualquer uma dessas sociedades.

Eles se estabelecessem em matilhas e delimitam para si territórios, a partir dos quais, eles tentam cumprir seus papeis de vigias dos dois mundos enquanto tentam sobreviver em meio a tantos inimigos que os cercam de ambos os lados. O instinto lupino de se manter em alcatéias e a facilidade humana para criar laços formam um conjunto de indivíduos que é maior que qualquer família de ambas as raças. Os chamados territórios, são protegidos e almejados mais do que qualquer coisa em suas vidas, o que ocasiona lutas e disputas até mesmo entre os próprios Urathas de uma mesma cidade. Afinal, sempre haverá matilhas reivindicando melhores terrenos e expandindo seus domínios para locais mais abundantes em recursos tanto físicos como espirituais. Isso torna-se quase certo principalmente quando uma alcatéia vizinha demonstra-se inepta ao seu dever, o que torna cada disputa e batalha para manter a ordem dentro de cada território uma questão de vida ou morte.

Por fim, além da gama incontável de espíritos, os Destituídos encontram nos Puros uns dos seus principais inimigos nessa difícil empreitada. Seus irmãos perdidos, que os culpam por um crime de aconteceu no início dos tempos. Os Puros, que também são Uratha, caçam os Forsaken com todas as forças. Eles somente descansarão quando todos os Forsaken estiverem mortos...


- Os Bastidores de Stormriders

Em meados de 2004, um "boato profano" se espalhou pela internet afirmando que o Apocalipse realmente aconteceria na antiga linha de produtos do "Mundo das Trevas", o que significava que depois de quase 10 anos, o meu jogo preferido; Lobisomem o Apocalipse, chegaria literalmente ao fim. Não haveria mais lançamentos no exterior, suas publicações previstas para a língua portuguesa seriam canceladas e as que estavam em circulação entrariam para o "hall" dos artigos para colecionadores (fato que pouco tempo depois, veio realmente a se concretizar). Enquanto ainda me recuperava da notícia bombástica, um falatório sobre o lançamento de uma nova e reestruturada linha de jogos para o "World of Darkness" surgiu, cresceu e tomou forma, me trazendo novamente a esperança de poder ter os míticos transmorfos de volta a minha mesa de jogos, junto com uma linha novinha em folha de suplementos. Todos esperavam angustiados a continuação da batalha final, o que seria dos Garous após a épica batalha do apocalipse e como seria a nova sociedade dos lobisomens renascidos das cinzas do final dos tempos. Mas ao contrário de todas as expectativas, não haveria uma continuação, eles não eram mais Garous, eram Urathas e em algum momento do final de 2004 e começo de 2005, começava a entrar em cena um jogo completamente novo, apenas baseado em tudo que o antigo tinha sido.

Nos mandaram esquecer tudo o que sabíamos sobre o Apocalipse, limpar nossas mentes e começar do zero outra vez. Confesso que inicialmente achei aquilo uma heresia. Recebi o estreante Forsaken com um preconceito sem precedentes antes mesmo de tê-lo lido e compreendido seu contexto. Estava revoltado por ele ter sido o responsável pelo fim dos lançamentos do meu jogo predileto e não queria ver os Destituídos nem pintados de ouro durante aquele periodo nebuloso de informações desencontradas. Mas meu fascínio pelo mito do lobisomens, aliado a minha curiosidade, falaram mais alto. Ambas somadas a empolgação do Murruy, um grande amigo meu que aguardava anciosamente os novos lançamentos, em vista do exelente trabalho que haviam feito com Vampire the Réquiem. Mal haviam disponibilizado as regras básicas ainda em inglês no site oficial e ele ja as havia impresso e as trazido para darmos uma conferida na nova proposta do jogo. Juntos, eu e esse grande amigo nos aprofundamos na temática do jogo e aos poucos fomos descobrindo aquele que em nossa opinião, era provavelmente o melhor jogo de todos que haviam sido publicados para o novo Mundo das Trevas até então. Simplesmente adoramos, estava mais animalesco, brutal e maduro, não lutaríamos mais uma batalha perdida, lutaríamos pelo que é nosso e por dever. O ressentimento com o novo cenário rapidamente havia desaparecido, eles realmente conseguiram fazer algo melhor. Do antigo jogo, restaram apenas as boas lembranças das inúmeras aventuras. Estávamos realmente empolgados com todas as novas possibilidades que tínhamos pela frente. Logo chamamos nossos outros companheiros de matilha e tratamos de esboçar novos personagens e imaginar que território na face do globo seria o melhor para receber todo aquele turbilhão de idéias latentes.

Inicialmente tínhamos em mente fazer com que a campanha se passasse em nosso próprio bairro, com personagens brasileiros e cercado por tudo o que já conhecíamos desde a infância. Já havíamos até jogado uma pequena introdução com o personagem que viria a ser o atual Steve, mas quando enfim nos reunimos com os outros jogadores que viriam formar a matilha dos Stormriders, tudo repentinamente mudou de rumo. Enquanto discutíamos e bebíamos, um ronco de motor de uma Harley-Davidson vindo da TV que estava ligada ao fundo chamou nossa atenção. Pelo que me recordo, passava um episódio de American Choppers e eles estavam testando uma motocicleta incrível numa estrada que parecia não ter fim. Imaginar a sensação de liberdade, o vento no rosto, a imagem de rebeldia implícita naquela cena, mesclada com toda a nova mitologia dos Forsaken, foi o agente catalisador da grande mudança. Naquele instante nasceu a idéia dos Stormriders. A matilha originalmente de Iron Masters de Las Vegas que patrulhava seu território físico e espiritual sobre motos fetiche, agora estava prestes a receber seus novos integrantes. Steve arrumou naquele mesmo instante suas malas, e de São Paulo, partiu em uma viagem em busca de respostas que definiriam seu futuro no Novo México, coincidentemente onde o jovem músico escandinavo Klaus, faria sua primeira apresentação em solo americano e em fim, depois de muitas aventuras e descobertas, encontrariam Paul, Ray e Mike e juntos fariam com que os espíritos do deserto estremecessem mais uma vez ao ouvir novamente o nome da matilha dos Stormriders ecoando pela Hisil...


- Considerações Finais

Queria sinceramente agradecer e dedicar esse blog a todos que gostam de "perder seus tempos valiosos lendo esse pedaço de cultura inútil no meio da rede mundial", também não posso deixar de mencionar meus inseparáveis companheiros de matilha, sem os quais não teria o prazer de poder relatar nossos feitos aqui, o Murruy, a mente fervilhante e meu parceiro na criação do cenário de Las Vegas, a toda galera da comunidade do orkut, tanto do LoA como dos Stormriders, o Leandro Novo, meu brother colaborador aqui do blog e um dos meus principais incentivadores, ao pessoal do grupo de discussão do World of Darkness Brasil, que me dão o maior apoio e a todos aqueles que curtem e de alguma forma divulgam e não só os Stormriders mais o RPG em geral...

Muito obrigado a todos!

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